Tainise

Os cristãos e a sexualidade – Parte 2

Quando comecei a espalhar a notícia do meu blog sobre sexualidade, recebi apoio e encorajamento, e agradeço a todos! Eu estava com um frio enorme na barriga e vocês me ajudaram. Nesse contexto, ouvi as seguintes frases: “Têm muitas pessoas precisando de ajuda nessa área”, ou “Eu não tenho problema com isso não, mas conheço muita gente que têm.” Nos sentimos relativamente à vontade para falar de sexo e sexualidade, contanto que não seja sobre a gente. Sei que é difícil admitir, mas se os protagonistas da história não somos NÓS, numa fração de segundos nos tornamos “experts” na sexualidade DELES.

Acho que todos vão concordar que é realmente difícil sermos honestos sobre o que há em nossos corações. Ainda bem que o nosso Deus, cheio de misericórdia, não fica esperando a gente tomar uma pílula mágica de coragem. Ele segura a nossa mão e nos refina como a prata (Salmo 66:10). Recomendo que leiam O Deus que Vê, primeiro texto postado neste blog.

Em Lucas 7, a partir do versículo 36, há o relato sobre um fariseu chamado Simão, que convidou Jesus para jantar em sua casa, até que certa mulher daquela cidade, uma ‘pecadora’, invadiu a festa e desestabilizou o ambiente (leia a história completa até o versículo 50). Jesus denunciou a falsa narrativa do NÓS e ELES, mais uma vez. Aqui, não se trata do pecado desta mulher ser “maior” ou “pior” que o pecado de Simão, mas de que ele não tem a menor pista de quão pecador é. Essa falta de discernimento afeta a forma como ele vê Jesus e a ‘pecadora’. Linda e maravilhosamente, a graça se manifesta quando Jesus começa a revelar a Simão que sabia o que se passava, secretamente, em seu coração. Jesus expõe que Simão não o servia, nem o adorava da mesma forma que aquela mulher, porque não sabia o que havia em seu coração. No livro Quando pecadores dizem SIM, o autor Dave Harvey comenta que quando “reconheço a enormidade de meu pecado, vendo a mim mesmo como o pior dos pecadores, entendo que muito me foi perdoado.”

Se você está com dificuldades de perceber o quanto a sua sexualidade precisa ser restaurada, pois, na visão que tem de si mesmo, você está seguindo as regras e vivendo uma vida sexualmente moral, peça de forma sincera que o Espírito mostre o que há no seu coração. Uma reflexão sobre integridade sexual também nos ajudará a repensar a nossa sexualidade. Em Efésios 5:25,26, Paulo explica:

Cristo amou a igreja e entregou-se a si mesmo por ela para santificá-la, tendo-a purificado pelo lavar da água mediante a palavra (grifo meu).

Se, nessa busca pela integridade, algum pensamento ou ideia não estiver de acordo com a revelação que Deus já nos deixou, rejeite-a! A expressão da tua sexualidade te leva a agradar a Deus, ou te leva à busca da tua felicidade? A expressão da tua sexualidade tem te tornando mais parecido com Cristo, ou tem distorcido a imagem perfeita dele? A sexualidade íntegra, planejada por Deus desde o princípio, se expressa através da entrega e sacrifício, no contexto de um relacionamento íntimo com o nosso Criador, onde o nosso compromisso com Ele é honrado. Devolvemos a Deus o que já é dele. Assim, não expressamos a nossa sexualidade baseados no que pensamos e sentimos, nem no que a sociedade nos ensina, pois sabemos que a nossa sexualidade não pertence a nós, mas a Deus:

Acaso não sabem que o corpo de vocês é santuário do Espírito Santo que habita em vocês, que lhes foi dado por Deus, e que vocês não são de si mesmos? (1 Coríntios 6:19).

E, no caso dos casados, a integridade sexual, além de refletir o relacionamento de intimidade e compromisso com Deus, também reflete a intimidade e compromisso com seu cônjuge:

A mulher não tem autoridade sobre o seu próprio corpo, mas sim o marido. Da mesma forma, o marido não tem autoridade sobre o seu próprio corpo, mas sim a mulher. (1 Coríntios 7:4)

A falta de integridade sexual se manifesta de muitas formas, para casados e não-casados. No livro Sex and the Single Girl (O sexo e a Jovem Solteira, tradução livre), a autora Dr. Juli Slattery define integridade sexual da seguinte forma:

O desígnio de Deus é que as suas escolhas sexuais reflitam de forma precisa a sua devoção a Ele e revele o nível de comprometimento que você fez a um homem. (tradução livre).

Quando você usa o sexo para manipular o seu cônjuge, isso não reflete intimidade, sacrifício e compromisso. Nem o sexo dominador que controla a outra pessoa. O mesmo se aplica quando a relação sexual é uma maneira de saciar a sede de aceitação, do anseio de ser desejado e conquistado, e de elevar a auto estima. Essas são algumas nuances de egoísmo e insegurança, ao invés de entrega e compromisso. E os teus pensamentos, onde estão durante as relações sexuais? Mesmo que o cônjuge não saiba e não se magoe por isso, quando teus pensamentos se direcionam para outra(s) pessoa(s), imaginária ou real, você está quebrando a aliança entre você e o teu cônjuge, o projeto de Deus original. Se você assiste outras pessoas flertarem com o teu cônjuge, passivamente, isso não reflete uma atitude de aliança e compromisso. O mesmo se aplica a quem se inquieta facilmente com qualquer pessoa que se aproxima do cônjuge. Uma relação de amor pactual cuida e protege, mas sem sufocar o outro. Por isso, ciúmes exagerados e falta de ciúmes são expressões de falta de integridade sexual. A recusa pelo sexo, mesmo que causada por mágoas com o cônjuge ou traumas do passado, não refletem a imagem de uma relação íntegra, pois as feridas nos impedem de nos doarmos. No caso dos que se recusam a se casar por causa das feridas causadas pelo sexo oposto, também manifestam falta de integridade, isto é, medo de se entregar e medo de ter intimidade. Em alguns casos, é o medo de falhar com a pessoa que ama. O medo do fracasso, de não satisfazer o outro e de magoá-lo leva muitos casais a resistirem ao sexo e escolherem o celibato dentro do casamento. Sendo assim, se negar a conversar com Deus e com outras pessoas sobre nossas limitações na área da sexualidade, e deixar de buscar a cura, também é falta de integridade. Não entregamos a Deus o que é dele, e deixamos todos presumirem que está tudo bem com a gente, quando não está. Recomendo a leitura dos textos A Importância da Fraternidade, parte 1 e parte 2.

Não conseguiremos ter comunhão, nem jantar com as pessoas que tiveram experiências sexuais diferentes das nossas, enquanto não recebermos a revelação do quanto precisamos ter a nossa sexualidade restaurada por Jesus. E, a partir dessa experiência com Deus, seremos capacitados a estender misericórdia às pessoas ao nosso redor, dentro e fora da igreja, porque estaremos experimentando, constantemente, a graça e restauração na nossa própria sexualidade. Falaremos com propriedade e autoridade porque saberemos exatamente a mensagem que estamos anunciando. E não anunciaremos moralismo, nem sabedoria humana, mas o poder de Deus que transforma, dia após dia, a nossa sexualidade afetada pelo pecado. Além disso, vamos parar de julgar nossos irmãos que enfrentam problemas sexuais que não compreendemos, e vamos nos tornar mais humildes ao servir e dialogar com não-cristãos que também estão com a sexualidade despedaçada e aguardam a redenção de Cristo.

Simão, tenho algo a lhe dizer. (Lucas 7:40)

Jesus queria mudar a maneira de pensar, sentir e agir do fariseu. E ele tem algo a lhe dizer também. Você deseja ouvi-lo?

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

%d blogueiros gostam disto: