Tainise

Quem nunca?!

Quando eu era solteira e jovem casada e alguma mulher mais experiente comentava sobre sexo comigo, na maioria das vezes eu não entendia exatamente o que elas estavam querendo dizer. Quem nunca?! Minha suspeita é que temos mesmo muita dificuldade em falar de sexo. Daí, escolhemos tanto as “palavras certas” e acabamos comunicando nada ou quase nada. Com sorte não comunicamos a mensagem errada pelo nosso excesso de pudor. Então, amiga leitora, quero que saiba que vou tentar romper com esse padrão por aqui e te peço, por favor, se eu falar alguma coisa e você não me entender, manda uma mensagem para mim. Se você me conhece, vem conversar comigo.

Gosto de falar sobre a intimidade sexual com minhas amigas que estão começando a vida conjugal. Elas nunca ficam à vontade mas eu inicio a conversa mesmo assim, só para que elas saibam que se precisarem de alguém para conversar um dia, essa pessoa existe! Eu e meu esposo sofremos desnecessariamente nos primeiros anos do casamento por falta de informação ou por causa de informações erradas. Quem nunca?! E essa é a realidade de praticamente todo casal. Se você ouvir que o início da vida sexual de um casal foi tranquilo e sem maiores problemas, saiba que, no mínimo, esse casal é a exceção, não a regra. Não se sinta inadequada se estiver tendo dificuldades. Não se desespere se os livros que te deram para ler sobre sexo não estão ajudando muito. Quem nunca?!

O casamento foi criado por Deus e a intimidade sexual é uma metáfora, um sinal físico de uma verdade espiritual sublime: a relação entre e Cristo e a Igreja. E através do casamento e do ato conjugal testemunhamos o amor de Deus ao mundo. Mas comecei a aprender sobre isso faz muito pouco tempo. Na minha experiência de mulher solteira e de noiva se preparando para casar, enxergava o casamento como a minha “Terra Prometida”. Quem nunca?! Depois de todos aqueles anos sozinha, sem namorado, orando por alguém para compartilhar as alegrias e tristezas, construir uma família, a vida de solteira havia sido um deserto para mim com privações físicas e emocionais. Eu aguardava ansiosa pelo casamento para começar minha vida sexual, e para a maioria dos homens e algumas mulheres, essa é uma das privações mais dolorosas da vida de solteiro. A gente sabe, enquanto jovem cristão, que não deveríamos nos casar “por causa” do sexo, e aí a gente decora aquelas falas bonitas sobre como a gente quer fazer o outro feliz e servir a Deus junto com ele…Quem nunca?! Mas, principalmente as mulheres cristãs se sentem muito culpadas por estarem doidas para transar, ou melhor dizendo, desejando muito fazer amor. Aliás, essa repressão sexual continua mesmo após o casamento para a maioria das mulheres. Mesmo as mais conscientes do seu desejo sexual precisam lidar com algum nível de repressão e podem se sentir um tanto perdidas. “Como assim? Eu queria tanto fazer e agora que tá liberado a coisa não tá fluindo!”.

E por falar em “Terra Prometida”, gostaria de fazer uma breve meditação em Deuteronômio 8 para ilustrar essa dinâmica de expectativa, frustração e superação no início da vida sexual. O povo de Israel havia passado 40 anos no deserto, vivendo sob os cuidados de Deus, com a provisão que ele deu ao povo. Deus cuidou e protegeu, mas, mesmo assim foi um tempo de muito sofrimento e privações. Não havia abundância. O tempo no deserto se caracterizou pela plena dependência de Deus. Em nossa experiência sexual, digamos que a gente sai do deserto achando que vai entrar em Canaã e arrasar! Quem nunca?! Só que, para comer o melhor da terra, desfrutar de seus benefícios, primeiro tem que “atravessar o Rio Jordão”, “derrubar os muros de Jericó” (Quem lê, entenda!) e expulsar os inimigos de lá. Daí a gente já saiu de Deuteronômio e entramos em Josué!

Organizar nossa vida sexual e nos ajustarmos segundo os preceitos de Deus dá muito trabalho. Requer paciência e perseverança para desfrutarmos uma sexualidade íntegra, saudável e satisfatória com nosso cônjuge. Pra ser sincera, a frustração pode ser muito grande no início, mesmo que não admita isso para si mesma. Lá no fundo, mesmo que alguém tenha nos alertado, criamos essa expectativa de felicidade plena e instantânea. Quem nunca?! Mas o melhor de Deus espera por vocês na vida conjugal! Se persistirem juntos nesse processo, todas as riquezas de Deus vão chegando ao longo dos anos e seu casamento testemunhará ao mundo a relação íntima entre Cristo e a Igreja, assim como o genuíno amor de Deus por nós.

Ela também é uma vida de abundância e plenitude quando temos uma perspectiva cristocêntrica e aprendemos a visão bíblica sobre o casamento, sem essa pressão social de que temos que nos casar custe o que custar. A vida de um solteiro também pode e deve ser maravilhosa.

Hoje não tenho mais essa percepção da vida de solteiro como um “deserto”. Ela também é uma vida de abundância e plenitude quando temos uma perspectiva cristocêntrica e aprendemos a visão bíblica sobre o casamento, sem essa pressão social de que temos que nos casar custe o que custar. A vida de um solteiro também pode e deve ser maravilhosa. Os desafios são diferentes. As bênçãos e dificuldades são outras. Menosprezamos o estar solteiro porque não temos a visão correta sobre a decisão e ato de se unir a outra pessoa. Devido a todo esse mal entendido sobre ser solteiro e ser casado, geramos uma expectativa gigantesca e discrepante com a realidade em torno do nosso estado civil.

Deixo uma palavra especial para você que sofreu com a perda do seu cônjuge enquanto tentava desfrutar da sua Terra Prometida. Você estava disposta a viver o processo, mas ele não. Sinto muito mesmo. Existe cura e restauração para você, existem muitas promessas de Deus para você também. Eu oro e te encorajo a não se entregar a essa dor. Não se una ao movimento de ódio aos homens. A cultura está cheia de cisternas rotas com águas imundas para você beber. A cultura está te oferecendo prazer sexual fácil e sem compromisso, ridicularizando o sexo conjugal e a Palavra de Deus. O mundo está te dizendo que o importante é você ser feliz e que a culpa da sua atual situação foi porque você deu ouvidos a um monte de besteiras religiosas, antiquadas e mal interpretadas. Guarde a sua mente e o seu coração nesse momento de vulnerabilidade. Mesmo as casadas e solteiras estão sofrendo esses ataques. Oremos umas pelas outras.

Sobre as metáforas desse texto, fica tranquila que com o passar do tempo elas vão ficar cada vez mais explícitas. Esses primeiros textos são para preparar o solo e firmar os fundamentos.

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